realengo
rio de rostos
ruas de sangue
roupas de furos
restos de pólvoras
realidades em risco
comandos em ação assassinados
barbies e pogobols destroçados
do sorriso de chicabon sem dente
pipoca doce de leite envenenados
sorte errada
seiva de corpo humano
escorrendo pelo globo
que sobre o guarda-pó estirado
marcava o fim
realengo viu columbine
twitters fantasmas
orkuts abandonados
juntamente com o próximo
álbum da copa do mundo
incompleto
livros grifados em vermelho
gotículas de trauma
isolamento
escadarias de prypiat
como cubatão
um vazio fukushima
contaminou o local
urubus e a torcida do mengão
a torcida do vasco, olaria, estenderam
bandeiras azuis, vermelhas, pretas
não sabiam ao certo qual a cor da morte
estendiam o indizível nas arquibancadas
o presidente vestiu grinalda
o lixeiro paletó e o poeta
liberou sua energia em versos
trucidou o indizível
detonou o start
atômico das palavras
não ditas, pós ditas, reeditadas
antídotos que não valem de nada
dose mínima de realidade
intensa
forças armadas carregando corpos
trancas trincos travas
tetras gritos giros tresloucados no ar
estampidos aleatórios
corpo em crise, demência
incapacidade
redes sociais que choram
quase luto mundial
quase um tanto senna
quase um boeing submarino
realengo viu columbine
realengo sangrou
um crime cravado de um coração em crise